Votação computada. As leitoras e os leitores de “O Falcão Maltes” escolheram MARLON BRANDO como O MAIS BELO ATOR da história do cinema. Ele arrebatou 21 votos. Mas a disputa foi duríssima. O francês Alain Delon chegou perto com 17 votos e Paul Newman, logo a seguir, conseguindo 12 votos. Em quarto lugar, o charmoso inglês Cary Grant com 5 votos. Por fim, quatro atores empataram com quatro votos na quinta colocação: Montgomery Clift (que não está na minha lista), Rock Hudson, Tyrone Power e Warren Beatty. Foi um resultado justo, a beleza de Brando eternizou-se no cinema durante cerca de vinte anos. O curioso é que ele não valorizava a formosura física num ator, deixando-se engordar e envelhecendo precocemente. Ele afirmou, em uma entrevista em 1990, ter sofrido essa decadência física devido ao estresse de estar constantemente sob a mira do público. “Sofri muita miséria em minha vida por ser famoso e rico”, declarou na ocasião.
Considerado um dos maiores atores cinematográficos de todos os tempos, MARLON BRANDO (Nebraska, EUA, 1924 - 2004) estudou no famoso Actors Studio, escola de arte dramática nova-iorquina. Consagrou-se primeiro no teatro, nos palcos da Broadway. Seu comportamento irreverente, rebeldia, juventude e boa aparência contribuíram para conquistar um grande apelo popular na década de 50. No seu primeiro filme, “Espíritos Indômitos / The Men” (1950), de Fred Zinnemann, faz um inválido de guerra. No ano seguinte, concorreria ao Oscar com sua performance como Stanley Kowalsky em “Uma Rua Chamada Pecado / A Streetcar Named Desire” (1951), de Elia Kazan. Levou seu primeiro Oscar com “Sindicato de Ladrões / On the Waterfront” (1954), mas fez escolhas erradas, protagonizando filmes ruins e recusando obras-primas como “Sedução da Carne / Senso” (1954), de Luchino Visconti, “Ben-Hur / Idem” (1959), de William Wyler, e “Lawrence da Arábia / Lawrence of Arabia” (1962), de David Lean. Voltaria a brilhar nos anos 70. “O Poderoso Chefão / The Godfather” (1972) lhe deu o segundo Oscar, que ele recusou para chamar a atenção para os problemas dos índios norte-americanos. “O Último Tango em Paris / Last Tango in Paris” (1972) e “Apocalypse Now / Idem” (1979) também foram grandes sucessos de crítica.
A vida pessoal de MARLON BRANDO foi marcada por escândalos e tragédias. Nos últimos anos, o brilhantismo de sua carreira foi ofuscado por sua excentricidade e reclusão, sua tumultuada família e disputas financeiras. Sua primeira mulher, Anna Kashfi, levou-o aos tribunais, revelando maldosamente fotografias em que o marido transava com o ator francês Christian Marquand. Em 1976, ele declarou que teve experiências homossexuais com vários homens, e que não ligava para o que as pessoas pensavam. Christian Brando, filho do primeiro casamento do ator, foi condenado a dez anos de prisão pelo assassinato do namorado de sua meia-irmã, Cheyenne, em 1990. Em 1995, Cheyenne cometeu suicídio aos 25 anos de idade. Brando morreu aos 80 anos, em 2004. Alguns meses depois da sua morte, sua ex-mulher Tarita escreveu suas memórias, as quais deu o nome de “Marlon, Meu Amor e Meu Tormento”, onde alega que ele teria abusado sexualmente de sua filha Cheyenne.







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